Tratamento de lesões de cartilagem pelo implante autólogo de condrócitos Artigo de Pedro Nogueira Giglio, palestrante do Simpósio de Medicina Regerativa

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Os defeitos da cartilagem articular são um problema clínico desafiante, gerando sintomas limitantes, perda de função e predisposição à osteoartrite. A capacidade biológica de regeneração de lesões com formação cartilagem hialina de qualidade é limitada. Para lesões condrais focais grandes, atualmente o Transplante Autólogo de Condrócitos (TAC) é considerado o tratamento cirúrgico de primeira linha.

O TAC é realizado em duas etapas cirúrgicas. A primeira cirurgia consiste em uma artroscopia para biópsia de cartilagem normal fora da área de carga. Condrócitos são isolados a partir da cartilagem e expandidos em cultura celular. Na segunda cirurgia, é realizado o implante dos condrócitos na área da lesão associada. A técnica original para

TAC utilizava um patch de periósteo suturado no defeito para contenção da solução de células na lesão. Atualmente, na técnica de terceira geração, são implantadas membranas condrocondutivas com condrócitos aderidos, após realizada a última etapa do cultivo celular diretamente no scaffold tridimensional da membrana. São limitações do TAC a necessidade de dois procedimento cirúrgicos e períodos de reabilitação relativamente longos pela maturação lenta do tecido de reparo .

No Brasil, a experiência com TAC e outras terapias celulares é incipiente. Após aplicação inicial da técnica de primeira geração, houve um hiato em que as técnicas não estavam disponíveis. A partir de 2017, foi iniciado protocolo de pesquisa para estudo da viabilidade e segurança da técnica no Brasil, tendo sido aplicado com sucesso em 14 pacientes, com seguimento atual de até 20 meses, com bons desfechos funcionais e de imagem.

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Pedro Nogueira Giglio integra o Grupo de Joelho do Hospital das Clínicas da FMUSP e palestrante do Simpósio de Medicina Regenerativa, que será realizado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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