Dezembro vermelho: a Aids não é uma doença sob controle no Brasil A professora Maria Amélia Veras alertou, em palestra, sobre a necessidade de ampliar ações de prevenção e tratamento

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Profa. Dra. Maria Amélia: “embora o número de casos tenha diminuído no Brasil como um todo, há muita desigualdade entre os estados e parcelas específicas da população”. Clique na imagem para ver mais fotos

No mês de conscientização e combate à Aids, a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho (FAVC) promoveu, dia 3, uma palestra sobre o tema para seus funcionários. Com dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, a Profa. Dra. Maria Amélia de Sousa Mascena Veras, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo, explicou a situação atual da epidemia no Brasil, bem como forneceu informações sobre infecção, prevenção e cuidados.

De acordo com Maria Amélia, embora o número de casos tenha diminuído no Brasil como um todo, há muita desigualdade entre os estados e parcelas específicas da população, o que mostra a necessidade de melhorar as ações já realizadas.

Desde 1996, o acesso aos medicamentos antirretrovirais é gratuito pelo SUS e, em 2013, houve uma extensão dos tratamentos ofertados às pessoas com HIV.  Ainda assim, nos últimos dez anos o país registrou aumento na taxa de detecção da Aids nas regiões norte, nordeste e centro-oeste.

“Não é uma doença que está sob controle. Estudos mostram que a epidemia está concentrada em determinadas populações”, afirmou a professora. O número de diagnósticos cresceu entre a população masculina bem jovem (13 a 19 anos) e na faixa etária de 20 a 29 anos. As gestantes também têm sido muito afetadas – no Rio Grande do Sul, por exemplo, as taxas de detecção se comparam com as da África subsaariana.  Outro segmento com índices alarmantes é o dos travestis e mulheres trans. “Estes últimos são extremamente vulneráveis, devido ao estigma do qual são vítimas, levando-os a situações de miséria e prostituição”, esclareceu.

Prevenção

O HIV, vírus da Aids, é transmitido por meio de relações sexuais com penetração, através do compartilhamento de seringas (por exemplo, para uso de drogas ou aplicação de hormônios), de acidentes com materiais perfurocortantes (no caso de profissionais de saúde) ou através do sangue (como em transfusões ou então durante o parto, da mãe para o filho).

Entre as formas de prevenção, estão o uso de camisinha durante relações sexuais; a profilaxia pré-exposição – uso diário de medicamentos antirretrovirais para pessoas soronegativas com maior risco de exposição ao vírus (profissionais do sexo, gays e homens que fazem sexo com homens, homens e mulheres trans, travestis e casais sorodiferentes); e a profilaxia pós-exposição – uso da medicação por 28 dias seguidos para prevenir infecção por HIV após uma situação de risco (como rompimento de camisinha e casos de estupro). Esta última só é efetiva se iniciada em até 72 horas após a exposição.

Saiba mais:

Informações sobre DST – Aids da prefeitura de São Paulo

Boletim Epidemiológico – HIV/Aids 2018

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