Alunos e professores debatem cotas e permanência estudantil na Semana da Consciência Negra Evento foi aberto com palestra de fundadora do Núcleo de Consciência Negra da USP

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Profa. Dra. Tania Di Giacomo do Lago, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da FCM/Santa Casa de SP, e Jupiara Castro, fundadora do Núcleo de Consciência Negra da USP, durante debate com participantes. Clique na imagem para ver mais fotos

A dificuldade dos estudantes negros em permanecerem na universidade foi assunto de destaque durante os debates da palestra de abertura da Semana da Consciência Negra da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo. Organizado pelo Núcleo de Direitos Humanos e Combate à intimidação Sistemática (NDH) da FCM/Santa Casa de SP, o evento acontece até sexta-feira, dia 23 de novembro.

Hoje, o evento contou com a presença de Jupiara Castro, fundadora do Núcleo de Consciência Negra da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou a palestra “Cotas Raciais X Cotas Sociais para Acesso à Universidade”. Em seguida, os alunos e professores presentes participaram ativamente de um debate com a palestrante, intermediado pela Profa. Dra. Tania Di Giacomo do Lago, docente do Departamento de Saúde Coletiva e coordenadora do NDH da FCM/Santa Casa de SP.

Estudantes negros relataram suas dificuldades em ingressar na faculdade e no mercado de trabalho, bem como o esforço e os obstáculos enfrentados para manterem-se no curso. Foram citados os desafios diários de deslocamento vividos por aqueles que moram fora da cidade de São Paulo e não possuem condições financeiras de instalarem-se na capital, a falta de opções de alimentação a um custo acessível, o preconceito, o baixo valor das bolsas estudantis oferecidas pelo governo, entre outras questões.

Jupiara agradeceu os alunos por compartilharem suas experiências, ressaltando que a política de cotas é apenas uma gota no oceano necessário para garantir os direitos destes estudantes. “Não basta proporcionar acesso à universidade, é preciso investir em políticas públicas de permanência estudantil, possibilitando ao aluno aproveitar tudo o que a instituição de ensino superior tem a oferecer”, explicou. “Isso envolve a implementação de um programa de políticas públicas que englobe acesso à moradia estudantil, alimentação, transporte, lazer e acompanhamento da saúde mental, pois é alto o número de suicídios entre universitários negros”, completou.

“A tarefa de reparar o cenário atual exige um grande compromisso do poder público”, concordou o Prof. Dr. Paulo Carrara de Castro, diretor da FCM/Santa Casa de SP. Ele salientou que a instituição procura ajudar seus alunos e evitar a evasão. “Também pretendemos incluir elementos mais humanísticos em nossos currículos”, acrescentou.

Amanhã, ao meio-dia, o coral Canta Santa se apresenta em frente ao prédio novo da FCM/Santa Casa de SP, em comemoração à Semana da Consciência Negra. Na sexta-feira, às 13h, haverá a palestra “Racismo Institucional”, com Márcio Farias, do Instituto Amma Psique e Negritude, no Auditório Emílio Athié.

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